sábado, novembro 07, 2009

Zombieland - Uma divertida sátira ao mundo dos zumbis!

George A. Romero é conhecido como o "pai" dos zombie-movies... o cineasta praticamente levou às telas os mais significativos e inesquecíveis filmes com os mortos-vivos e criou, desde então, um sub-gênero admirado por uma legião de fãs e imitado por muitos novos cineastas.

No entanto, mesmo que os filmes de Romero já possuíssem críticas sociais e muito humor negro IMBUTIDO nas cenas aterrorizantes e sanguinolentas de seus comedores de cérebro, foi só no início dos anos 2000 que alguns filmes começaram a querer transformar esse mote em comédia, de fato. Zumbilândia é a prova disso... que mesmo não descartando o sangue, as tripas e os mortos perambulando sedentos pelas ruas, consegue ter um humor completamente extravagante e bem trabalhado, com ótimas sacadas, diálogos super inspirados e atuações que favorecem ainda mais o tom "pastelão" e "anárquico" dessa divertida comédia com zumbis.

O novato e jovem diretor Ruben Fleisher, junto dos competentes roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, fazem um filme que na verdade é uma grande mistura de comédia, terror, aventura, romance e road-movie tudo num só mesmo pacote e, por mais inusitado que isso seja, conseguem extrair uma qualidade de todos os elementos de forma muito bem integrada.

Há tiradas do roteiro simplesmente geniais como as - inúmeras! - regras contra os zumbis (a do banheiro é completamente hilária!!!) e que não deixam de ser também totalmente coerentes, rs. As cenas são muito bem dirigidas por Fleischer, que sabe misturar perfeitamente a tensão provocada pela situação incômoda e emergencial quando os protagonistas encaram os mortos-vivos com o humor escrachado de pequenos momentos inusitados que vão acontecendo no decorrer da trama! Algumas tomadas do diretor são muito bem trabalhadas e o início do filme é simplesmente espetacular, visualmente falando!

Mas Zombieland não teria ainda tanta graça se não fosse pelo elenco principal, composto por apenas 4 atores: Jesse Heisenberg, Emma Stone, Abigail Bresslin e Woody Harrelson... esse último, talvez, num dos papéis mais divertidos de sua filmografia! (e é muito bom constatar que um ator carismático e talentoso como Harrelson, está sendo bem mais aproveitado pelo Cinema, já que ficou tanto tempo subvalorizado por essa indústria). Columbus (Jesse Heisemberg) é quase o protagonista da história, já que é ele quem narra o filme inteiro em off, mas é impossível ficar indiferente às trambiqueiras irmãs feitas por Emma Stone e Abigail Bresslin, mas ao meu ver, quem quase "rouba" a cena é mesmo o simpático atirador viciado em bolinhos Talahasse feito por Woody Harrelson...! Inclusive, uma sequência toda em câmera lenta dentro de uma loja de artigos para se fazer valer a regra "Aproveite as pequenas coisas da vida", de Talahasse, é uma das mais legais do filme!!!

Despretencioso, super divertido, com algumas idéias muito bem sacadas, e completamente simpático, a comédia de "terror" Zombieland torna-se ao meu ver, uma das pequenas - porém, ÓTIMAS surpresas! - desse ano.

Se Ruben Fleisher manter essa qualidade na direção e na narrativa, tem tudo para ser mais um diretor de criatividade exemplar!

Ps: Há ainda uma hilária participação de Bill Murray e mais uma homenagem aos que gostam de "Os Caça-Fantasmas".

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sábado, janeiro 17, 2009

ABISMO DO MEDO - Criaturas legais e protagonistas chatas!

Com uma sinopse simples e um desenvolvimento rápido, Abismo do Medo consegue nos assustar em cenas claustrofóbicas e tensas, apresentando uma ameaça bem interessante, apesar de não conseguir fugir do clichê e de algumas cenas completamente exageradas. (O trabalho visual do pôster do filme, no entanto, merece meus sinceros elogios!!!)

Tudo começa quando seis moças decidem explorar uma caverna (para se desestrassarem, por radicalismo, sentir novos desafios ou apenas movidas pela TPM!) e logo, percebem que haviam entrado na caverna errada porquê uma delas não trouxe o livro de expedição (é sério, não riem!). Quando já imergidas na escuridão total das grutas e nos incômodos e nervosos túneis da misteriosa caverna, as seis jovens começam a avistar estranhas criaturas antigas que habitavam o interior daquele declínio. À partir daí, e cada vez mais, uma sucessão de erros cometidos pelas seis mocinhas vão acontecendo (de forma idiota, convenhamos!) e as criaturas parecem perceber isso (os erros e a idiotice delas) e partem pra cima, aterrorizando, vitimando e assustando cada vez mais.

O filme é interessante. Não nego a falta de bom senso do roteirista que transformou algumas personagens em puro clichê cinematográfico: existe a chata, a mais chata ainda, a irritante que só sabe gritar, a medrosa pessimista, a cretina e a versão Rambo de saias (substitua apenas as metralhadoras de Stallone por uma machadinha de alpinismo); mas com tudo isso, Abismo do Medo funciona como terror, por incrível que pareça. O diretor Neil Marshall que também foi quem escreveu o filme, funciona mil vezes melhor comandando as cenas do que escrevendo o roteiro, sem sombra de dúviida, e consegue criar bons momentos de tensão, sequências angustiantes misturadas à claustrofobia e ao nervosismo das personagens e coloca o clima de suspense sempre crescente. As atrizes, pelo menos, ajudam a compor essa histeria e duas delas se destacam: a que vive a personagem Juno (a Rambo de saias na qual falei) e Sarah (a "mocinha principal", que de medrosa vai recuperando uma coragem até então inexistente... e, por vezes, absurda!). Holly e Beth, são certamente, as mais insuportáveis! Enquanto a primeira tentava sempre liderar o grupo e só fazia merda atrás de merda - a ponto até de quebrar a perna e dá trabalho em dobro pras amigas -, Beth se esforçava em ser a legalzinha, mas escondia um mau caratismo impiedoso, conseguindo ter um final tragicamente imbecil. E pasmem: mesmo morrendo, ainda delata o erro de uma outra personagem propositalmente... "muy amiga", não? (acho que merecia morrer mesmo, rs).

Por outro lado, as criaturas foram bem construídas e elaboradas! Seres meio humanóides, mas com sentidos de morcegos (como o sensor ao som e a cegueira), elas conseguem mesmo impressionar... seja no lado interpretativo (há todo um trabalho de expressão corporal muito bem coordenado) e no lado estético (a aparência dos monstrengos realmente assustam). E, ao contrário das moçoilas heroínas que se perdem a cada movimento e atitude, as das criaturas são totalmente bem osquestradas.

Bem dirigido, mediocremente escrito e com um elenco irregular, Abismo do Medo consegue ser o tipo de terror que provoca bons sustos por parte dos seres bizarros e irrita com tantas mocinhas exageradas e chatas!

Nota 6

PS: Ao menos, o filme ensina uma IMPORTANTE lição: nunca, nunca mesmo se aproxime silenciosamente por trás de alguém... ainda mais quando esse alguém estiver com uma picareta na mão depois de matar monstrinhos feiosos.

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quinta-feira, dezembro 18, 2008

ESPELHOS DO MEDO - Um terror bem acima da média

Fico um pouco assustado com filmes de terror, propriamente dito. Mas não assustado de medo ou pavor; embora o objetivo de um bom filme de terror, seja isso... mas como hoje já sou crescidinho e não preciso mais dormir de luz acesa (rs), o meu medo na verdade advém da ausência de um bom roteiro, de um bom desenvolvimento da trama (que mesmo que lhe pregue sustos, te deixe envolvido com a história) ou até mesmo da falta de criatividade que uma boa parte dos filmes de terror atual sofrem. Hoje o gênero quase sempre segue - lamentavelmente - a mesma fórmula: espíritos atormentados que começam a assustar o mocinho e a mocinha - ou suas famílias - até que os protagonistas consigam achar um jeito de livrar as almas tortuosas do sofrimento eterno. Convenhamos, essas sinopses já estão um pouquinho batidas e só desanima ainda mais quando acrescentadas por elementos mais batidos ainda, que sempre vem junto com o pacote! São eles: crianças aterrorizadas, velhinhas enigmáticas ou mesmo medonhas, uma maldição milenar que assombra o local ou alguém, e agora, também importado do Terror Asiático, ainda temos que ver inúmeras vezes menininhas cabeludas que saem de dentro da banheira, de baixo da cama ou que descem do teto como uma aranha. Mas com toda a sinceridade, nada que me faça desistir do filme... desde que o mesmo possua a boa e velha história MUITO BEM CONTADA. E nesse ponto, Espelhos do Medo não só cumpre essa função, como ainda consegue provocar autênticos arrepios!


Kiefer Sutherland (o famosíssimo Jack Bauer, da ótima série policial 24hrs), volta aos cinemas na pele de Benjamin Carson, um sofrido vigia noturno que além de enfrentar um relacionamento conturbado com sua esposa (eles estão quase se separando), ainda precisa superar o fracasso de sua carreira policial, curar sua bebedeira e para piorar, convencer a todos que os espelhos andam se comunicando com ele! Tudo bem, eu sei que parece muito exagerado... e é, à primeira vista. Mas o roteiro é esperto e mesmo criando clichês do gênero, sempre procura fugir deles da maneira mais empolgante possível. A propósito, é interessante comentar que o diretor espanhol Alexandre Aja (também roteirista do filme!) é novato na direção, mas cumpre muito bem seu papel, fornecendo pistas e enquadramentos muito bem feitos, como as tomadas sutilmente elaboradas para nos mostrar imagens espelhadas onde menos imaginamos, como no assoalho bem encerado de uma casa, na mesa bem envernizada, em retrovisores de carros, nas poças de águas e até mesmo na lataria de um brilhoso automóvel. Sinais pequenos, mas genialmente subliminares, de que os reflexos estão nos acompanhando. E para piorar - ou melhorar! - o clima de suspense do filme, os espelhos são um show à parte, sendo muito bem focalizados com a exata dimensão de como eles surgem em cena, sempre repentinos, imponentes e tenebrosos. É certo que ficamos com MEDO só de encarar aqueles vidros!


Embora, seguindo a velha cartilha para se criar sustos (como a música mais acentuada, gritos de pessoas, sequências de fobia), Espelhos do Medo se desenvolve de forma sempre tensa, nunca dando-nos a chance de respirar e ainda convence em seu propósito natural de colocar os protagonistas que simpatizamos, como as grandes vítimas do inimigo fantasmagórico. E não falo só do vigia noturno Ben Carson, que nos fornece toda a vontade de torcer para que ele vença aqueles desafios, mas sim, de sua esposa e de seu casal de filhos pequenos. E é ainda mais angustiante nos deparar com crianças completamente ingênuas e que não fazem a menor idéia do mau que está diante deles, ainda sofrendo todos os riscos possíveis. E dentro desse contexto, tenho que parabenizar a atriz Paula Patton, que faz Amy Carson, a esposa de Ben, que atua de forma coerente e sensata, exibindo seu desespero de maneira convincente, como uma mãe exibiria ao ver seus dois filhos pequenos sendo ameaçados por aquilo que ela não entende! Patton, inclusive, me lembrou em alguns momentos a atriz Halle Berry!


Mas o ponto forte de Espelhos do Medo reside mesmo na explicação de como tais espelhos tornaram-se assombrados; uma explicação muito criativa e interessante, que mesmo sendo contado de maneira sobrenatural, ainda assim, possui a excelente habilidade de nos ter parecido lógica e real. E mesmo que o protagonista principal do filme, o ótimo Kiefer Sutherland, ainda lembre seu herói Jack Bauer de 24hrs (o que é inevitável, tamanha foi a dedicação do ator ao personagem da série!), ele ainda nos surpreende em alguns bons momentos de interpretação, como no choro esbravador dentro de um banheiro diante da morte de um personagem e quando tenta por todas as maneiras eliminar os espelhos da própria casa e convencer a esposa, ainda incrédula, de que não está louco e o que enfrenta é mais sinistro do que se pode imaginar.


Mas depois de tanta correria, apreensão e medo, a surpresa maior do filme é revelada em seus últimos segundos antes do término, quando finalmente, descobrimos que algo mais aconteceu... e é também nesse momento que sentimos que Espelhos do Medo não será uma obra prima incontestável dentro do gênero, como foi O Sexto Sentido ou Os Outros, mas mesmo assim, será lembrado como um filme perturbador e muito angustiante, com um final que consegue jogar - com sagacidade! - sua última carta.


*NOTA 7


PS: Para os mais impressionados, o filme nem tem tantas cenas assim de terror "brabo", mas a que envolve a morte de uma mulher na banheira, aconselho pelo menos, a piscarem rápido! (rs)

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